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O movimento, que tem crescido nos últimos anos, mostra uma mudança significativa nas estruturas familiares do Brasil.
Por Rebecca Vettore – 9 de março de 2026
Nos últimos anos, tem-se observado um aumento na preferência de casais sem filhos pela compra ou adoção de pets no país.
De acordo com a pesquisa Radar Pet 2023, do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Saúde Animal (Sindan), 21% das casas brasileiras com cachorros já são de casais sem filhos, enquanto 65% são de lares com cães e filhos. Quando se trata de gatos, 25% pertencem a casais sem filhos.
Esse cenário ocorre em paralelo à queda da taxa de fecundidade no Brasil, que passou de 6,16 filhos por mulher em 1960 para 1,74, segundo dados divulgados pelo IBGE. Ao mesmo tempo, o número de pets no país cresceu 65% entre 2009 e 2019, conforme o Instituto Pet Brasil.
Além disso, o perfil do responsável pelos animais também mudou. A pesquisa indica que os tutores estão cada vez mais preocupados em proporcionar qualidade de vida, conforto e bem-estar aos seus pets.
Segundo a psicóloga cognitivo-comportamental Rejane Sbrissa, há um crescimento das chamadas famílias multiespécie.
“Cada vez mais pessoas relatam profunda realização emocional ao construir sua vida ao lado de pets, não como substitutos, mas como membros legítimos do grupo”, explica.
De acordo com a especialista, o vínculo com os animais é real e possui base biológica. A convivência com cães e gatos pode atender necessidades emocionais fundamentais, como apego e sensação de pertencimento.

A forma como o animal é percebido pode influenciar a saúde emocional do tutor. Quando o pet é visto como companheiro, o vínculo tende a ser equilibrado e benéfico.
Já quando é tratado como filho, pode trazer propósito e estrutura, mas também pode gerar ansiedade excessiva, dependência emocional ou dificuldades na rotina social.
“Quando o animal se torna uma ‘cria’, o luto pode ser mais intenso. Isso não é fragilidade, mas pode se tornar um problema quando não há outras fontes de apoio emocional”, explica a psicóloga.
O ponto central não é a intensidade do amor, mas o papel psicológico que o vínculo ocupa. Ele deixa de ser saudável quando passa a limitar a vida, gerar sofrimento ou dependência excessiva.
Sinais de alerta incluem preocupação constante, dificuldade de separação, abandono de atividades sociais ou necessidade excessiva de controle sobre o bem-estar do animal.
Por isso, é importante avaliar se o vínculo amplia a vida ou a restringe, se existem outras conexões afetivas e se há equilíbrio emocional.
O crescimento das famílias multiespécie reflete uma transformação profunda na sociedade brasileira. Mais do que uma substituição, trata-se de uma nova forma de construir vínculos, baseada em afeto, cuidado e escolhas individuais.
Fonte: Terra Noticias - Publicado neste site em 01/04/2026